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21/05/2014 - 12:12

Casas em declive

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Vejo estes projetos todos muito lindos , porem todos muito onerosos. Gostaria de uma ideia mais simples, meu terreno esta com caimento de 1,80 a cada 10 metros, tem de fundo 30 metros, quero construir uma casa de 72 metros quadrados com 3 quartos com suite. Estou com muita duvida em que fazer com este terreno.
Obrigado

 

Messias, os acabamentos das casas podem parecer caros e são , mas não se prenda a isso, o importante é como você fará a implantação da casa num terreno em aclive ou declive como no seu caso.O que é implantação?É um estudo feito sobre uma vista em corte( perfil) do seu terreno.Toda a vez que você respeita as condições naturais do terreno, Você evita grandes retiradas ou aterros na obra.A grande questão que pode ser o seu caso é se o seu terreno é vizinho de construções onde os vizinhos tenham subido muito a cota do terreno!Daí você pode se sentir “engolido” por eles.O resultado desta arquitetura é que você terá que copiar o modelo deles.

acima exemplo de casas de alto poder aquisitivo, mas  deixam um vazio estrutural por baixo.Solução para ficar mais alto?Depende do tamanho do pé direito que sobra em baixo, surgem novos andares, se gasta mais com estruturas.

Enfim é preciso se ter em conta a otimização do seu espaço.

Gosto muito deste perfil acima, veja que se estudou a predominância dos ventos e  insolação, casa bem projetada é saúde para a sua família!
Acredito que esta seja a melhor hora para se iniciar um projeto! Consulte o arquiteto da sua região!

 

Autor: - Categoria(s): cidade e cidadania, construção, desenhos, pergunte que respondo Tags: , , , , ,
12/03/2012 - 19:44

Esquema de implantação basico

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Olá Mari, tenho um terreno com declive que chega a 12 metros do nível da rua, ele tem 600 M2 15×40, ao lado da reserva do condomínio . Pretendo construir uma casa aproveitando o declive preciso de 1 suíte, 2 quartos , sala e cozinha americana, com grandes janelas voltadas para a reserva, sou artista e recebo muitos artistas em minha casa e gostaria de fazer algo diferente. A casa precisa ter 130 M2 no máximo . Grata      

Noemi Mello

Olá Noemi

Não tenho como te fazer um projeto completo, mas uma dica de divisão dos níveis sim é possível como você poderá ver no esquema bem simples abaixo.Seu terreno tem uma área ótima, em 40 m descer 12m dá para fazer uma casa saindo do térreo e descendo até 3 pavimentos.O primeiro faria a sala com a cozinha  e seu atelier com uns 70m2.Abaixo faria uma área de serviço , um terraço de lazer com churrasqueira e até piscina se for o caso.No ultimo e mais baixo faria os quartos com uns 80m2.Infelizmente as escadas roubariam espaço interno.Acredito que você teria que liberar mais uns 30m2 por conta dela e da circulação.

 

     

 

 para projetos completos: consulte-nos www.arquimariana.com.br

     

Autor: - Categoria(s): condominios, construção, desenhos, pergunte que respondo Tags: , ,
22/09/2010 - 19:00

Projetos compactos

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Olá Mariana, li uma reportagem sua na ig e vi que vc ajuda muitas pessoas, e no meu caso eu moro em Bauru e vou construir em um terreno 10 por 14 so que foi aprovado somente 60mts de construção pela caixa.Então não tenho idéia de como construir o desenhista me deu a idéias de construir em L porque vai ficar mais barato  ai ficaria 01 lavanderia 01 cozinha com a divisao com um balcao ficando integrada a sala que ficaria sala de tv e jantar pequena ai 02 quartos ,sendo 01 suite! ele pensou em construir tipo um vagao quarto suite quarto banheiro sala na virada ai a cozinha e a lavanderia. Ai ficaria uma frente para fazer area de lazer. uf acho que expliquei tudo vc pode me dar uma idéia???obrigada Patrícia

Eu estou assim desesperada pq tem que apresentar o projeto na prefeitura pq caso contrario a caixa nao aprova obrigada!

 

 

Olá Patrícia!

Vejo que está correndo, mas pergunto, em Baurú não tem nenhum arquiteto para te ajudar??Você está recorrendo a um desenhista?

Broncas à parte, acho difícil fazer correndo um esquema para você muito bom , mas em termos de layout dá para você estudar este, já que a sua metragem é super pequena o arranjo do layout devrá ser super compacta.Inclusive com janelas de banheiro dando ou para cozinha ou para área de serviço…

 A não ser que você rotacione  90 graus esta planta  dentro do seu terreno…Assim vai ter um dormitório com janela frontal e a suíte com janela para os fundos

e Boa sorte!

Autor: - Categoria(s): construção, desenhos, dicas, pergunte que respondo Tags: , ,
17/03/2010 - 16:19

Retrofit no chalé suiço em Campos do Jordão

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Tenho um pequeno chalé em Campos do Jordão, todinho em madeira, bem velhinho do tipo suiço com telhado até o chão.
quero clarear os ambientes internos 2 quartos um mezzanino e uma sala todos são revestidos com lambris muitissimo escuros e a forração do telhado que e aparente e clara como pinos, não é pinos mas tem aquele tom amarelado. gostaria de saber se existe alguma coisa para em clarear a madeira ou devo pintá-la ou ainda aplicar um papel de parede? Agradeço sua atenção

Vi os seus trabalhos aqui apresentados e fiquei extremamente maravilhada porque sem dúvida existem os artistas e os pretensos arteiros como eu, tenho 55 anos e ainda nao fui feliz em nenhum dos ambientes que ja criei, vc pode ma ajudar?

Muito fofa sua questão! Como retrofitar um autêntico chalé tão típico dos anos 70 e 80??
 
 
 
 
 
 
Mais ou menos assim?
Nossa como ficaram fora de moda não?Que atmosfera escura! E o brilho???Se livre de tudo isso!
 
Mas você pode tentar usar outros materiais nas paredes gomo gesso acartonado e pintá-lo simplesmente com uma cor bem clarinha
 
 
 
 
 
 
 
Mudar o piso para algo bem claro também ajuda, só que daí entra ou piso frio (num lugar frio não combina) ou carpete claro com mescla tipo buclê.Certifique-se de não passar pelo barro antes…
 
 
Olha que gostoso uma sala de jantar num cantinho perto de uma janela!
Existem processos de clareamento de madeiras maciças, ou simplesmente a laqueação num tom bege, ou verde claro.Não recomendo o branco, pois não combina com Campos de Jordão que é um lugar frio onde as pessoas estão muito externas e facuilmente irão sujar.
 
Se for fazer móveis novos utiliza a cor do carvalho clara ou freijo.O lambril de pinus poderia aparecer somente num ou outro ponto como se fosse um detalhe e não o todo.A idéia do gesso acartonado é boa e ainda pode ajudar no conforto térmico.
 
Em tempo, utilize luminárias de foco em trilhos foscos e simples para focar objetos, nichos e mesas.Aproveite se for mexer com o gesso e criar umas sancas para colocar lampadas tubulares fluorescentes de 28w na cor amarela e boa sorte, só não esquece de me convidar para este chá quente com biscoitos!
Autor: - Categoria(s): exteriores, interiores, pergunte que respondo, projetos comerciais Tags: , , , , , ,
03/03/2010 - 11:54

Blocos aparentes, quais os melhores para conforto?

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Oi Mari estou pensando em construir uma casa com bloco de concreto mas estou insegura pq algumas pessoas falam bem e outras falam mau e como não sou da área não sei avaliar os prós e os contras. Você pode me ajudar? Gostei muito do estilo da casa que você mostrou e estou pensando em algo parecido. Aguardo resposta.

Att
Bete

Olá Bete

Para começar alguns dados técnicos  para comprovar  comportamento de blocos cerâmicos comuns e os blocos de concreto celular que pesquisei.

 O tijolo cerâmico é uma vedação amplamente utilizada e um elemento já enraizado na cultura popular. O resultado do isolamento desta vedação é utilizado como parâmetro de comparação entre os sistemas novos e o que a população já se apropriou. O painel de concreto é uma alternativa de vedação que vêm sendo utilizado com mais freqüência, principalmente em empreendimentos comerciais, mas ainda pouco difundido em edificações residenciais. E os painéis de PVC e de chapa zincada se apresentam como alternativas recentes, propostas para uso em habitações populares, mas que sofre com o “pré-conceito” existente entre a população. Todos são utilizados no Brasil como vedação externa e também interna e se apresentam como sistemas construtivos independentes para residências térreas, como os painéis de PVC com lã de vidro e o painel de chapa zincada.

Os resultados dos ensaios e o índice de redução sonora são comparados aos valores de isolação sugeridos pelo projeto de norma SC136 e pelas recomendações norte americanas do para isolação entre ambientes.  

De acordo com o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas – o índice de redução sonora do tijolo cerâmico furado tipo “baiano” espessura de 9 cm, assentado em pé, 1,5cm de reboco apresentou classe de transmissão sonora igual a 38dB. O tijolo cerâmico é o tipo de alvenaria mais utilizado no Brasil. Existem muitas situações em que este material é adequado para isolar o ruído externo, porém em situações críticas, de ruído externo, este é utilizado “deitado”, até mesmo paredes duplas, dependendo do nível sonoro requerido no interior do ambiente e do nível de ruído externo.

 

O índice de redução sonora (Rw) deste material resultou em 42dBA Significa que uma parede constituída de blocos de concreto celular autoclavado, sem nenhum elemento inserido na sua superfície – uma janela, por exemplo – atende como vedação de uma sala de estar de uma residência que exige um ruído de fundo entre 40 a 50dBA, desde que o ruído externo não ultrapasse valores de 82 a 92dBA. Este nível de ruído representa, por exemplo, uma avenida movimentada, ou um rádio caseiro ligado em volume elevado. Além disso, o isolamento deste bloco, de espessura de 12,5cm é melhor que o do tijolo cerâmico, tipo “baiano”, com espessura de 9cm. Pode-se concluir que o isolamento do bloco de concreto celular autoclavado é compatível com o desempenho requerido em uma residência, por exemplo.

Geralmente um bom isolante acústico também pode se fazer de bom isolante térmico, mas nem sempre! Por isso ando pesquisando também para meus projetos blocos que possam ser utilizados para ambas as situações críticas

 

Bloco Térmico da ECOPORE

Dados do fabricante atestam Estabilidade mecânica, conforto térmico-higrométrico, estanqueidade à chuva, segurança ao fogo, conforto acústico, durabilidade, adaptação à utilização, facilidade de execução, economia, são as exigências mais relevantes de desempenho das paredes exteriores, envolventes dos edifícios.

As alvenarias realizadas com o bloco térmico ThermoBloco da ECOPORE proporcionam um isolamento térmico aliado a boa resistência mecânica, satisfazendo as exigências técnicas de mercado.

O Sistema de Blocos seria concebido especialmente para realizar paredes exteriores ou divisórias confrontando com zonas não aquecidas em pano simples sem qualquer complemento de isolamento térmico.

Segundo eles os Blocos Térmicos constituem um excelente isolamento térmico e uma boa resistência mecânica. Permitem realizar paredes exteriores com:

  • estabilidade mecânica;
  • segurança ao fogo;
  • estanqueidade à chuva;
  • conforto termo-higrométrico;
  • conforto acústico;
  • durabilidade;
  • adaptação à utilização;
  • facilidade de execução
  • economia

 

O sistema destina-se a edifícios de habitação ou serviços. As paredes exteriores deverão ser sempre revestidas, pelo menos exteriormente.Neste caso não fica aparente como a gente vê nos projetos…Ainda irei me aprofundar mais nesta pesquisa! Vale a pena!Veja abaixo os blocos aparentes…

inst88_01_03_09

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acima projeto do studio 6 arquitetura para residencia na aldeia da serra-sp

Existem testes e produtos  sendo inserido no mercado com adição de agregados, ou resíduos como o poliuretano , que podem os tornar mais leves e melhores em conforto, mas é preciso que seja realmente testado ou comprovado e logicamente se estão dentro das normas que avaliam e atestam a qualidade destes produtos

Autor: - Categoria(s): construção, desenhos, dicas, pergunte que respondo Tags: , , , , , , ,
09/02/2010 - 19:12

Ideias boas de casas

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Oi Mary Comprei um terreno com 12 de frente 37 de comprimento por 18 de fundos, e o mesmo começa com declive de 2,5 mts ao nível da rua e depois vai tornando bem mais suave (na extensão de 33 mts um declive próximo de 2 mts. Penso em fazer uma casa de e quartos , suíte, garagem e no Maximo de dois níveis. Por gentileza, tens alguma sugestão ou algum projeto similar para que possamos ter uma noção?

Olá Joseph , idéias, mais idéias, vamos lá.Um projeto para um terreno maior que o seu e com um pouco mais de declividade.Para uma casa em Barueri o Arq Marcio Mazza se aproveitou da declividade e dividiu a casa em dois blocos em níveis diferentes, setorizou os ambientes e mexeu muito pouco com terraplanagem.Esta é uma ótima receita!Veja como ele interpretou esta receita:

 corte marcio mazza

2pav marcio mazza1 pav marcio mazza

resultado estético:

cobertura_escada

O visual e acabamentos estão meio brutalistas, por opção provavelmente de cliente e arquiteto,  mas você pode dar toda uma releitura deste conceito, utilizando outros métodos construtivos também.Daí vem minha eterna dica, contrate um arquiteto!

Autor: - Categoria(s): construção, desenhos, pergunte que respondo Tags: , , , ,
05/02/2010 - 18:12

Terrenos difíceis

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Oi mary estou com um problema e gostaria muito que vc me ajudasse como um ótima arquiteta que é você. Tenho um terreno com nível abaixo do terreno com apenas 6 metros de frente e 23 de comprimento e 12 no fundo resumindo é um  triangulo. Só que já construí a minha casa assim mesmo abaixo do lote com 5 cômodos e uma varandinha na frente o meu quarto ficou na frente e teve que ficar como um triangulo. Agora gostaria de fazer uma garagem na frente e não quero que fica também fora do nível pensei em fazer co um alicerce nivelado com a rua somente a garagem e outro espaço deixaria para a entrada da casa com escadas. Porem não sei se é uma atitude certa e gostaria muito que vc me ajudasse.A minha casa ainda não é murada e pretendo murar neste mês já construindo  a garagem. dê uma dica xau bjsss.

 

Dicas para quem já construiu…Bom melhor seria se tivesse o projeto com um arquiteto antes… Depois é tentar reverter a situação…Como não tenho sua planta comigo te dou uma solução pára um terreno difícil em declive e triangular.

Na verdade um arquiteto pode pensar em milhões de soluções para o teu terreno e a sua garagem, então te mando uma bem simples, para que você saiba que pode fazer a garagem no nível da rua e criar um talude de contenção, entre a garagem e a casa.A casa estaria de 2 a 3 metros abaixo do nível da rua e, portanto escondida, o que pode ser bem interessante do ponto de vista da privacidade, acústica, mas nem tanto em relação à insolação.O problema é que você respeita o nível natural do terreno  e fica lindo, já seu vizinho vem e constrói uma mega casa tipo elefante no pires e acaba com seu sol!E você pensa, maldita hora que respeitei a declividade  e os recuos nesta cidade ou neste país sem lei e respeito pelos concidadãos…

Mas Não!Não desanime, pinte de branco os muros internos, e use e abuse de espelhos para refletir a luz do sol para o andar inferior, misture com plantas e “Voilá”!Vai matar de inveja seus vizinhos!

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Autor: - Categoria(s): cidade e cidadania, construção, desenhos, miscelanea, pergunte que respondo Tags: , , ,
26/01/2010 - 19:31

A chuva

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Bastou chover e alagar nossa rua e para piorar ficarmos sem a internet…O eterno CAOS de São Paulo!

Vale ler e pensar no artigo de um colega arquiteto da USP  publicado ontem no Caderno 2 do Estado de São Paulo

”A cidade paga por não planejar” por GABRIEL MANZANO FILHO

“Enchentes, deslizamentos… Para o urbanista Kazuo Nakano, só quando entender a natureza São Paulo sairá dessa armadilha

 

Abram todos os seus guarda-chuvas, desviem das goteiras, cantem Parabéns… mas antes de apagar as velinhas prestem atenção: o grande presente que são Paulo deveria ganhar hoje, pelos seus 456 anos, seria um súbito ataque de paixão pelo planejamento urbano.

“É disso que a cidade mais precisa, para sair da armadilha em que caiu”, adverte o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis. É por não ter essa cultura, avisa ele, que em todos os verões a vida paulistana fica paralisada e a população condenada a ver pela TV a triste rotina de inundações, deslizamentos, avenidas entupidas de carros parados e uma crescente conta de vítimas fatais.

A causa disso – além de ser este o janeiro mais chuvoso dos últimos 70 anos – é o desprezo pela natureza. A mania de construir a cidade como se os rios não existissem. A incapacidade de entender que eles têm seu ritmo, que muitos transbordam no verão, que não se pode “fechar” o chão com cimento e asfalto. “Na Europa isso foi aprendido há séculos. Mas aqui continuaremos nessa armadilha enquanto não mudarmos de rota”, avisa o Nakano.

Velho conhecedor dos conflitos paulistanos, participante ativo de vários planos diretores, como os de São Paulo, Fortaleza e Vitória, o urbanista, formado pela FAU-USP, traz uma boa e uma má notícia. A má é que a cada ano os problemas se agravam, as soluções fica mais caras e a situação “vai piorar antes de melhorar”. A boa é que há saídas técnicas para o drama paulistano – basta ver como as cidades da Holanda, que vivem abaixo do nível do mar, fizeram para eliminar o problema. A seguir, trechos da entrevista.

Por que as chuvas, em São Paulo, deixaram de ser um incômodo para se tornarem tragédias?

Porque os problemas não são resolvidos e vão se agravando. Porque não existe uma cultura de planejamento urbano para resolvê-los. Porque os governantes se dedicam ao jogo político do toma lá, dá cá e a projetos de curto prazo. E quando as chuvas, como agora, batem todos os recordes, todo mundo grita.

Então, no ano que vem vai acontecer tudo de novo?

Se chover forte, sim. Este é o caso típico de uma tragédia anunciada. A cidade caiu numa armadilha e dela não vai escapar enquanto não entender e respeitar o ritmo de seus rios e córregos.

O que você quer dizer com ”entender e respeitar”?

É conviver com a natureza. Ao ocupar margens de rios, a população paga por não perceber como eles funcionam. Um destino que tantas outras cidades do mundo aprenderam a evitar. Veja a Holanda. Como metade de seu território fica abaixo do nível do mar, eles desenvolveram sofisticados sistemas de controle, com canais, comportas, um ritmo preciso de escoamento, monitorado o tempo todo. Resultado: eles até sabem que é possível, às vezes, construir perto das margens, e o fazem, mas deixando vazio o espaço de que o rio necessita.

Pode dar um exemplo?

Estive, no final do ano, na cidade de Leuven, na Bélgica. Ela é toda cortada por meandros de um rio – mas montaram uma rede de canais e comportas em seu curso, intercalando jardins e piscinões, antes que ele chegue à área urbana. Pode chover muito, que mesmo assim a vida da cidade não para.

Então, existe uma saída. Por que não é adotada?

Aqui vamos criando a cidade como se o Tietê e o Pinheiros não existissem. Alterar esse quadro exigiria um poder público forte, do qual não dispomos. E não dispomos porque o jogo político não deixa espaço para isso. Autoridades e lobbies dedicam-se a trocas, a obras de curto prazo, sem impacto na vida da cidade.

Mas também é preciso dinheiro.

Esse é o segundo problema: nossas prefeituras vivem na miséria. Recebem só 18% da arrecadação do País, enquanto o governo federal fica com 58% e o Estado com 24%. E a maior parte do bolo municipal vai para saúde, educação e custeio. O que isso significa? Que a capacidade de investimento nos espaços urbanos é quase zero.

As autoridades são pressionadas e tentam melhorar as coisas…

Mas se desgastam em coisas de curto prazo, do tipo inaugurar escola, asfaltar rua, abrir hospital, alargar avenida. Sempre deixam para depois o que é caro, ou difícil de aprovar.

Tem um caso concreto disso?

Enquanto chove e se discute a retirada de moradores dos morros e margens de rios, a região próxima à Cidade Tiradentes, na zona Leste, vem sendo rapidamente ocupada. É mais um grande problema em formação. Se não adotarmos o que chamo de cultura do planejamento, não vamos a lugar nenhum.

Dramas como os de Angra dos Reis são mais do mesmo?

Em grande parte, são. Mas não devemos nos limitar ao que aparece nas manchetes dos jornais. O mesmo drama se repete nas profundezas da Amazônia, em Maués e Tefé. E como estancar esse fenômeno se mesmo num Estado com São Paulo, o mais adiantado, apenas 10% das cidades têm engenheiros e arquitetos? Se as cidades não têm equipes técnicas, não há como formar uma massa crítica para pensar os desafios urbanos.

A Câmara paulistana começa a discutir a revisão do Plano Diretor, que é de 2002. O que você espera dela?

A revisão é uma coisa necessária, não se deve nunca ser contra, mas veja, estamos revisando um plano que ainda não foi avaliado, grande parte dele não foi levada à prática.

Qual parte?

As chamadas zonas especiais de interesse social são um exemplo. O plano propõe formas de instalar em áreas vazias populações que vivem à beira de rios e córregos. Há mais de mil áreas demarcadas no plano, mas o assunto não avançou. O novo texto da Prefeitura fez algumas alterações, não tão expressivas.

O que o novo plano fala sobre enchentes?

Tem boas intenções. Desimpermeabilizar o solo, implantar praças e parques lineares, preservar as várzeas e projetar modos adequados de ocupá-las. Isso é crucial e teria de ser aprovado e posto em prática com urgência.

Que nota você daria à qualidade de vida de São Paulo, comparada com 10 anos atrás?

Isso depende de definir um padrão. Mas posso dizer: a qualidade caiu, e bem. Se a nota anterior fosse 6, hoje seria 5, mas em queda. Pois não estamos vendo nenhum debate sobre o longo prazo.

Há cidades, no Brasil, com melhores exemplos para mostrar?

Temos casos, poucos, de sucessos de planejamento, mas pela metade. Curitiba é muito lembrada, pela integração dos transportes, mas se você olhar no entorno da cidade vai descobrir uma coroa de favelas. Também Belo Horizonte, Brasília e Palmas, em Tocantins, tiveram setores planejados, mas misturados com outros cheios de conflitos. A questão central é ter uma cultura de planejamento, que se faça presente nas decisões sobre o espaço urbano. Esse sim seria um grande presente para a cidade.”

Você pode se perguntar: E o quê eu tenho a ver com isso?Bom como cidadãos temos que buscar eleger as pessoas que procurem como meta o planejamento da cidade.Temos que cobrar dos que foram eleitos.Criar associações de bairros fortes e dar um bom exemplo nas atitudes mais corriqueiras do cotidiano, não jogar lixo fora do lixo, não impermeabilizar o solo do seu terreno, nem da sua calçada e não construir em áreas de risco!

Autor: - Categoria(s): cidade e cidadania, sustentabilidade, vida de arquiteto Tags: ,
12/11/2009 - 12:27

Casa suspensa no ar

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Prezada Mari !
Não me canso de ler todas as matérias do seu blog, nesse primeiro contato solicitarei uma indicação, mas saberei entender se não houver tempo para me atender.

Acabo de adquirir um terreno no Itanhangá, RJ, de fundos para uma mata fechada onde há um riacho e dentro de um arejado condomínio de 23 lotes. O meu é o menor, 1260 m², sendo 20 F x 47,5 E x 39 D e 32m de fundos, com declive acentuado. Começa com cota 45m e termina cota 20m.

Pretendo algo em torno de 120 m², talvez em tijolo ecológico, madeira e blindex ou vidros grandes para contemplar a área verde.  Penso em dois andares internos acompanhando o desnível do terreno, para não acabar num precipício. Haveria algum projeto estilo rústico, com telhado diferenciado e vidros para clarear?
Atenciosamente
Jorge

Nossa Jorge, entendi bem? 25m de desnível? Veja se é isso mesmo!!

Como você pretende construir poucos metros, achei que deveria necessariamente utilizar dois níveis. Sendo o social em cima  e com acesso mais fácil, e uma garagem vindo da rua e os quartos abaixo.

Pesquisando na internet, acabei topando com este projeto muito legal e simples para exemplificar um projeto interessante. Foi para um concurso da Empresa Masisa de compensados. O segundo colocado, o arq. André Eisenlohr, fez este projeto abaixo:

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Com o conceito orgânico de integração com o entorno, o arquiteto optou por deixar a casa com toda sua estrutura aparente, composta por pilares de eucalipto e vigas de muiracatiara, espécies que vem sendo reflorestadas de forma sustentável.

A cobertura é composta por telhas de fibra vegetal. Situada em um terreno em declive acentuado, a execução da obra permitiu que o arquiteto usasse sua experiência em técnicas de alpinismo e montanhismo, como o uso de reduções de peso com cordas e polias.

A casa foi construída com maneira artesanal, além de mão de obra reduzida e especializada. Foram usadas placas de 15 mm de OSB para o fechamento das paredes, formando um “sanduíche” com 5 cm de distância entre elas, o que proporciona um melhor conforto e isolamento termo-acústico e possibilita a passagem da fiação elétrica de forma simples e racional.

A escolha do sistema de construção seca com OSB foi feita pela facilidade e rapidez de montagem, além de sua resistência, leveza e textura visual, que deixa aparente o conceito orgânico e o partido ecológico do projeto, visando o mínimo impacto ambiental e a máxima integração com a natureza.

O custo da obra foi reduzido em função do preço do material, da redução do tempo de construção, do sistema construtivo e da mão de obra.

www.iabpr.org.br

www.masisa.com/

arquitetandonanet.blogspot.com

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casa

Autor: - Categoria(s): construção, desenhos, fornecedores para obra, pergunte que respondo, sustentabilidade Tags: , , ,
15/10/2009 - 19:38

Construção mais sustentável em terrenos em declive

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Olá, me interessei no tópico, pois tenho um terreno em declive e sempre achei que aterrar é desperdício de espaço e dinheiro. Penso em fazer uma edícula com possibilidade de expansão para ser a casa principal. É um terreno de 12X32m (384m²) com declive de 1,70, onde pretendo fazer quartos em baixo e uma cozinha conjugada com área para churrasco acima deles.

Uma dúvida é: a impossibilidade de fazer banheiros abaixo do nível da rua não torna os quartos “antipráticos” principalmente à noite? Outra ideia que tenho é a de fazer uma casa o mais próximo possível do ecologicamente correto, com cisternas que acumulem água das chuvas e utilizar tijolos de solocimento. O que me sugeriria?
Obrigado.
Érico, Ilha Solteira – SP

 

Olá Érico, legal que tenha se interessado, realmente é difícil fazer o convencimento do cliente que adora aterrar terrenos em declive para ter uma casa alta e imponente!! Mais fácil seria se comprasse logo um terreno em aclive!

Bom é um belo lote este seu, mas não entendi a impossibilidade de fazer banheiros abaixo da rua? Seu esgoto e águas pluviais não descem para o lote de baixo em sistema de servidão? Quartos sem banheiros realemente NÃO dá! Olha como seu declive é pequeno! Os casos que citei anteriormente são para terrenos com 3 m de declive ou mais.

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Construção ecológica se baseia em muitos aspectos, você pode ter partes ecológicas e outras não. Não adianta muito construir em solo cimento se para vir o material até a obra, irão ser consumidos fretes e  diesel para ser transportados. O melhor material é aquele que poderá ser feito no local, se a terra é boa pode ser feito em solo cimento, se tiver pedras, usar as pedras, e respectivamente com outros materiais nativos. E sobre armazenamento de água é uma ótima pedida, gera um investimento alto no começo mas costuma se pagar ao longo de 5 a 10 anos.

Veja algumas dicas de solo cimento:

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“O solo-cimento é um material obtido através da mistura homogênea de solo, cimento e água, em proporções adequadas e que, após compactação e cura úmida, resulta num produto com características de durabilidade e resistências mecânicas definidas.

Este material de construção vem suprir boa parte das necessidades de instalações econômicas na maioria das regiões rurais e suburbanas no Brasil.

O uso do solo-cimento no Brasil vem, desde 1948, ajudando na satisfação de tais necessidades, encontrando-se hoje já bastante difundido.

A presente comunicação relata aspectos técnico-econômico-sociais de alguns anos de trabalho com esta modalidade de construção na CEPLAC/EMARC-UR.

Nesses quase 25 anos de experiência na região cacaueira, destacam-se obras no meio rural e urbano, em particular a construção de uma creche com 1.240 m2 em Juçari-Ba, sendo a segunda maior obra de solo-cimento no Brasil.

A tecnologia do solo-cimento é aplicada às construções das populações de baixa renda e foi introduzida na comunidade da região cacaueira porque tem como benefícios: a economia de tempo e material, bem como facilidade de execução atendendo a segmentos da população na faixa de pobreza, como é o caso dos “sem-terra”, permitindo o uso de mutirões.

CAMPO DE APLICAÇÃO

A principal aplicação do solo-cimento em habitações populares no meio urbano é a construção de paredes monolíticas.

Por afinidade, seu emprego pode ser estendido para construções de casas, depósitos, galpões, aviários, armazéns, etc.

O solo-cimento pode ainda ser empregado na construção de fundações, pisos, passeios, muros de contenções, barragens e blocos prensados.

VANTAGENS

O solo-cimento vem se consagrando como tecnologia alternativa por oferecer o principal componente da mistura – o solo – em abundância na natureza e geralmente disponível no local da obra ou próxima a ela.

O processo construtivo do solo-cimento é muito simples, podendo ser rapidamente assimilado por mão-de-obra não qualificada.

Apresenta boas condições de conforto, comparáveis às construções de alvenarias de tijolos cerâmicos, não oferecendo condições para instalações e proliferações de insetos nocivos à saúde pública, atendendo às condições mínimas de habitabilidade.

É um material de boa resistência e perfeita impermeabilidade, resistindo ao desgaste do tempo e à umidade, facilitando a sua conservação.

A aplicação do chapisco, emboço e reboco são dispensáveis, devido ao acabamento liso das paredes monolíticas, em virtude da perfeição das faces (paredes) prensadas e a impermeabilidade do material, necessitando aplicar uma simples pintura com tinta à base de cimento, aumentando mais a sua impermeabilidade, assim como o aspecto visual, conforto e higiene.

SOLO-CIMENTO – MATERIAIS CONSTITUINTES

SOLO

Os solos adequados são os chamados solos arenosos, ou seja, aqueles que apresentam uma quantidade de areia na faixa de 60% a 80% da massa total da amostra considerada. 

Quando este tipo de solo não for encontrado, pode-se fazer uma correção granulométrica no solo encontrado (70% de areia e 30% de silte e argila), misturando uniformemente e peneirados, obtendo-se o mesmo resultado.

Nas misturas usuais, as quantidades variam na faixa de 12 a15 partes de cimento para 100 partes de solo seco, em massa, o que corresponde, em média, à proporção cimento:solo. Desta maneira, é facilmente notada a importância que a escolha de um solo adequado representa para a produção de um solo-cimento com qualidade.

Na obtenção do solo, para grande volume de obras, a dosagem do cimento deve ser determinada em laboratório, atendendo não só a qualidade final, mas também à economia, pois um traço exageradamente rico em cimento poderia comprometer a construção.

Escolhido o material e determinada a dosagem (traço), o construtor prepara a mistura de forma semelhante a que se faz para outras argamassas.

Quando o volume de obras é pequeno, existem testes para a avaliação das características granulométricas de um solo. Alguns deles são feitos, como o Teste da garrafa e o da Retração do solo.

PREPARO DA MISTURA

Deverá ser feito o peneiramento do solo numa malha ABNT de 4,8mm. Esta operação tem por função promover a pulverização do material, sendo o resíduo destorroado e, então, repeneirado. Deverão ser descartados apenas aqueles pedregulhos maiores que a abertura da malha.

O solo é espalhado em uma superfície lisa (bandeja de madeira ou chão batido), devidamente peneirado. Adiciona-se o cimento e faz-se a mistura até obter uma coloração uniforme ao longo de toda a massa. Logo após, coloca-se água em pequena quantidade, de preferência com o uso de regador com pequeno chuveiro adaptado, evitando a sua concentração em determinados pontos.

Na prática, a umidade da mistura é verificada através de procedimentos simplificados, baseados na coesão apresentada pela massa fresca. Quando a amostra está seca, não existe a formação de um bolo compacto, com marca nítida dos dedos em relevo, ao apertarmos na mão a massa de forma enérgica. Outro método complementar muito utilizado consiste em deixar cair o bolo formado, de uma altura aproximadamente um metro, sobre a superfície rígida. No impacto o bolo deverá se desmanchar, não formando uma massa única e compacta. Se houver excesso de água, a massa manterá úmida e rígida após o impacto, fato não desejável.

FERRAMENTAS NECESSÁRIAS

BÁSICAS: cavador, enxada, enxadete, pá, picareta, cordão de nylon, martelo, escala numérica, serrote, colher de pedreiro, balde, nível de bolha, mangueira de nível, esquadro, carro de mão, prumo, peneira, etc.

ESPECIAIS: forma para estaca de concreto, forma para compactação de parede com parafusos específicos.

COMENTÁRIOS FINAIS

As possibilidades de aplicação do solo-cimento na área rural e urbana estão longe de serem esgotadas.

Por ser um processo de fácil assimilação por qualquer pessoa, utilizando somente materiais locais, não necessitando de energia de qualquer natureza para sua produção, nem mesmo animal, a tecnologia do solo-cimento certamente se constitui no processo que permitirá uma verdadei-ra revolução nas construções rurais e urbanas brasileiras, pois associa um baixo custo a uma elevada qualidade.

A EMARC-URUÇUCA dispõe de informações específicas sobre as diferentes aplicações do solo-cimento, disponibilizando-se para fornecer maiores detalhes das técnicas construtivas.

*Eng°. Agrimensor, Técnico em Assuntos Educacionais (Escola Média de Agropecuária Regional da CEPLAC/EMARC – URUÇUCA – BAHIA).”

 

texto de:Efren de Moura Ferreira Filho

 É importante saber que na construção civil, o solo-cimento pode ser usado de quatro maneiras diferentes: em tijolos ou blocos, nos pisos e contrapisos, em paredes maciças e também ensacado. Vejamos:

Tijolos ou blocos — São produzidos manualmente ou em pequenas prensas, dispensando a queima em fornos. Eles só precisam ser umedecidos para se tornar muito resistentes e com excelente aspecto.

Paredes maciças – Técnica similar à taipa de pilão usada no período colonial. A a massa é compactada diretamente na forma montada no próprio local da parede, em camadas sucessivas, no sentido vertical, formando painéis inteiriços sem juntas horizontais.

Pavimentos — O solo-cimento também é compactado no local, com o auxílio de formas, mas em uma única camada. No final, o piso fica constituído por placas maciças, totalmente apoiadas no chão.

Ensacado – A mistura de solo-cimento, em formato de uma “farofa úmica”, é colocada em sacos que funcionam como formas. Os sacos têm a boca costurada, depois são colocados na posição de uso, onde são imediatamente compactados, um a um. O resultado é similar à construção de muros de arrimo com matacões, isto é, como grandes blocos de pedra.

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